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  • Foto do escritorGenival Dantas

Uma Decisão para Poucos


Estamos indo para seis anos desde o dia 14/02/2013, quando naquela data fiz o texto: Uma decisão para poucos. Trata-se de um tema voltado à coragem dos homens que se predispuseram a largar suas atividades profissionais em benefício de uma causa ou causas, mormente se for para o interesse coletivo. Nada mais justo que traçarmos como parâmetros os gestos dos religiosos, nesse caso os Santos Papas, ocupantes que foram do maior e mais importante cargo da Igreja Católica Romana, por ser a maior Igreja e representarmos o maior número de seguidores dentro do cristianismo. Leia abaixo o texto referenciado.


Depois de 598 anos o mundo volta a discutir a renúncia de um Papa da Igreja Católica Apostólica Romana. O último papa a renunciar ao cargo foi Gregório Xll em 1415, tendo falecido em 1417 quando foi eleito o novo papa Martinho V, portanto, não ocorrendo registro na história da substituição do papa no período, constando apenas a vacância do cargo.


Nesses quase dois milênios de Igreja Católica e 265 papas a ocupar a posição de maior prestígio dentro de uma igreja, até hoje constituída e reconhecida mundialmente pelo cristianismo, tivemos outros casos de abdicação. O papa Ponciano foi obrigado a renunciar em 235. No ano 535 outro papa que tomou o mesmo destino, por questões políticas, foi o Silvério. O João XVlll que ficou no cargo de 1003 a 1009 também renunciou. De 1032 a 1044 a igreja passou por um período de desgaste, com denúncias de escândalos do seu administrador, Papa Bento lX, deposto, retornando ao cargo e renunciando na sequência em 1045. Em 1294 o Papa Celestino V é forçado a renunciar com apenas 5 meses como papa. Todos esses casos anteriores ao atual, Papa Bento XVl, com renúncia anunciada para 28 do mês em curso, tiveram origem política interna e externa, tudo em nome do poder.


Lembrado a atuação dos papas nos últimos 60 anos, o 260° papa, Pio Xll, 1939/1958, atuando no período da segunda guerra mundial, foi alvo de debates e polêmicas em decorrência de sua posição imparcial ao conflito, posição correta para um líder religioso de tamanha importância.

João XXlll, 1958/1963, o 261° papa, foi um grande conciliador, com gestos simples e sinceros, foi aclamado no seu tempo como o papa da bondade, mesmo assim a minoria de católicos tradicionalistas acusava-o de ser um maçom radical e esquerdista; e por ter pregado a liberdade religiosa e o ecumenismo, além de convocar o Concílio Vaticano ll, foi rotulado de herege modernista.

Com a morte do Papa João XXlll assume Paulo Vl, 262° papa. Ele representou a harmonia dentro da igreja, na conciliação entre os opostos, seu pontificado foi marcado pelas profundas reformas políticas reformistas. Foi fervoroso devoto mariano, tendo participado de várias reuniões Mariológicas, manteve o diálogo com o mundo de outras religiões e irreligiosos. Lutou pelo fim do sofrimento dos pobres do Terceiro Mundo, ocasionado pela fome e a miséria exigindo a participação dos ricos, tanto das Amécias como a Europa. Muito embora, contrário ao controle da natalidade pelos métodos artificiais, um dos temas conflitantes dentro da igreja há muito tempo, ele teve seus pontos de vistas respeitados pela sua convicção.


O Papa João Paulo l, o 263° papa, teve uma passagem rápida, ficando apenas 33 dias no cargo, mas teve o respeito dos religiosos de todo mundo pela sua humildade, com atitudes de despojamento e a maneira de se comportar diante da suntuosidade do poder que lhe era revestido. Sendo o primeiro papa depois de Clemente V a não aceitar a coroação formal e não se permitia ser carregado na liteira, dava, dessa forma, uma mostra da sua coerência.


O polonês Karol Józef Wojtyła, João Paulo ll, 264° papa, um dos mais influentes líderes do século passado, teve uma extraordinária luta nas relações da sua igreja junto as demais seitas e religiões melhorando o relacionamento entre os religiosos de todo mundo, destacando a Igreja Ortodoxa, o Judaismo, e as Religiões Orientais, apesar de ter sido contra a contracepção e a ordenação de mulheres mereceu o apoio dos religiosos livres e de bons costumes. Foi um grande viajor e peregrino da paz, fé e esperança, contra as desigualdades sociais.


Finalmente, com o falecimento do João Paulo ll, assume o trono da Igreja Católica, Joseph Alois Ratzinger, Papa Bento XVl, o 265° religioso ao asumir tão importante cargo e missão. Bento XVl é eleito no Conclave de 2005, em 19 de abril daquele ano aos 78 anos e 3 dias, vai ficar no cargo até 28 do corrente, com horário marcado para renúncia as 20:00 horas. O mundo questiona a atitude do líder regioso da mais antiga e importante religião em todo mundo cristão.


Buscando respaldar meu ponto de vista nas atitudes dos homens que fizeram a história praticando o bem pelo bem estar da humanidade, só posso passar a admirar muito mais a personalidade firme, de espírito nobre, o comparado aos imortais: Jesus Cristo, esse dispensa comentários, o maior de todos, representa o próprio Cristianismo; Mohandas Karamchand Gandhi, Mahatma Gandhi, grande líder indiano, assim como Cristo, deu a vida pela sua causa, pelos pobres; Martin Luther King, Jr., Ministro da Igraja Batista, Prêmio Nobel da Paz, em 1964, assassinado em 04 de abril de 1968 defendendo os negros e pobres que serviam uma guerra sem causa, a do Vietnã; se junta a esses, Nelson Rolihlahla Mandela, simplesmente Nelson Mandela, mundialmente conhecido por sua luta pelos pobres do mundo, podia ter ficado sendo reeleito quantas vezes quisesse ao cargo de presidente da África do Sul, mas, por uma questão de princípios largou o poder para continuar lutando em benefícios dos irmãos negros, de uma África marcada pela miséria e a fome.


Volto ao tema original, para não ser enfadonho. Bento XVl. Num gesto de profunda grandeza, em nome da igreja e seus seguidores, sabendo dos seus limites físicos, larga o trono, renununcia ao cargo mais importante e mais desejado na terra, simplesmente ele é o Papa, deixar o exercício de uma tarefa meritória e de reconhecido poderes para ficar enclausurado, numa vida de orações.

As opiniões vão divergir muito! Críticas vão vir elogios certamente. Os ponderados e de bom senso, vão ver no gesto do pontífice Bento XVl o grande amor que o homem pode sentir pelo seu semelhante ao largar sua posição em benefício de toda uma comunidade, ou de um povo. Para ser possuidor dessa desenvoltura é preciso ter a verdadeira consciência do seu alcance e limites, sem prejudicar, sem dar prejuízo à terceiros. Isso, terminantemente, chama-se amor e respeito ao próximo, predicado de poucos homens.


Os avarentos, sequiosos pelo poder, os sem compostura e desventurados, vão se achar no direito de criticá-lo, tomando-o como covarde, um homem sem ambição, fraco e incompetente. Essa será a leitura dos incompetentes e sugadores da humanidade. Entretanto, eis o homem, fortalecido pelas suas atitudes corajosas e heróicas destinadas apenas aos mais fortes e inteligentes seres humanos.


Independente do meu ponto de vista conceitual em relação à Igreja Católica, acredito que seja o momento certo para que essa instituição faça uma análise da sua longa caminhada sobre a terra, avalie os erros, que são tantos, e acertos, que são muitos. Procure no exemplo do seu líder maior, um novo enredo, uma concepção voltada para o momento atual, se atualizando e trabalhando junto aos novos conceitos e mentalidades: o tempo passou e novas concepções apareceram, a atual geração tem outra cara e outra cabeça, é preciso mudar. Não só a Igreja Católica, mas, todo aquele que direta e indiretamente forma opinião, ajuda escrever a história da humanidade, com atuações e pensamentos, devia aproveitar a oportunidade, fazer uma reflexão sobre seu comportamento. Se espelharem na coragem e consciência de sua Santidade Papa Bento XVl, e imitá-lo.


Quantos que estão em determinadas posições, na gestão pública ou privada, até mesmo sem a menor cosciência que o seu tempo já passou, já não há espaço para suas idéias retrógradas e superadas, alienados e viciados nas possibilidades que a corrupção possibilita, estão alí por pura teimosia, por vaidade, pela sede do poder, pelo apego ao dinheiro, sem nenhuma importancia para a humanidade, apenas tirando proveito próprio de uma situação. Não seja o ser humano inconveniente aos dignos e honestos, aproveite o momento, deixe que os sensatos transformem o mundo num espaço de valores morais, tais quais os imortais citados, e tantos outros que fizeram e fazem das suas vidas, exemplos de dignidade, apenas para tentar fazer um mundo melhor, assim como fez Sua Santidade Bento XVL, o mundo seria bem diferente! Bem diferente seria.


Genival Torres Dantas

Escritor e Poeta

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