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  • Foto do escritorGenival Dantas

Sem açúcar e sem afeto não há doce predileto (28/03/2020)





Como faço parte do grupo de risco, no trato do combate ao Coronavírus, a minha disposição para dormir tem sido afetada pela grande quantidade de tempo que estamos expostos nesse recolhimento forçado e pouco entretenimento que temos como opção as atividades normalmente executadas no nosso dia a dia quando estamos numa situação de normalidade. Dessa forma tenho acordado e levantado cedo em busca de algo para fazer enquanto me preparo para a nova rotina diária.

Para minha surpresa, nesse último final de noite e começo da manhã, pelo Facebook sintonizo a Rádio Cariri de Campina Grande e encontro ao vivo, o comunicador do horário, Massilon Gonzaga, ex-colega de bancada de rádio, ainda não era rádio, era serviço de auto-falante, final dos anos 1960, cidade do interior da Paraíba, Pombal. Confabulamos em forma de recordações, ao caro amigo de longas datas informei que estivera em Pombal recentemente e lá estive com um amigo em comum, Clemildo Brunet de Sá e referência do rádio pombalense de nossa época.

Aquele encontro casual me fez recordar de fatos e coisas dos tempos em que a MPB estava saindo do movimento da Bossa Nova, de João Gilberto, Vinícius de Morais e tantos outros exemplos de capacidade musical, e chegava a Jovem Guarda, com outro nível musical, outro alcance interpretativo e uma nova mensagem de uma mentalidade surgida com uma juventude renovada com outras exigências e ausentes de preconceitos sociais.

Nessa época, e em paralelo, outra corrente musical se fazia presente com grandes interpretes e compositores voltados para a música de protesto, dentre os grandes compositores, dois se destacavam, Geraldo Vandré, com sua poesia regional, o Chico Buarque de Holanda, com toda sua carga intelectual e um novo modelo social, colocavam fogo nos festivais musicais, da época, patrocinados pela e principalmente TV Record e seu auditório que sacudia a plateia engalanada pelos talentos de plantão.

Confesso que aquele acontecimento alguns quadros do passado me veio à mente e naquele turbilhão de imagens antigas misturadas com a realidade dos nossos dias me lembrei de uma música do próprio Chico Buarque, “com açúcar e com afeto”, ela traduzia a meiguice das palavras, muitas vezes não ditas à pessoa amada, o sentimento de esperança nos encontros das almas e até mesmo no desencontro do sonhador que não suportava viver na sua pátria amada, em regime de exceção.

Colocando a bola no chão e voltando ao nosso mundo tão incerto quanto nosso futuro ante a crise que estamos vivendo, crise de saúde pública quando o mundo é atacado pelo novo Coronavírus, ele que esteve entre nós e nada fizemos para combatê-lo, ficando expostos como estamos numa demonstração clara da nossa eterna incompetência.

A crise política fica por conta da instabilidade provocada pelos atores que protagonizam um período de egoísmo acintosamente apresentado pelos nossos governantes que aproveitam um tempo de agonia para a população para antecipar eleições futuras, tentando se apresentarem como os pais e mães, quando não, defensores únicos de uma nação desalinhada com a realidade.

A hipocrisia tomou conta da República, os três Poderes se apequenaram e o respeito por eles está em fase final, eles são massacrados pelo excremento que são visto pela população, tudo culpa dos próprios podres poderes que em conluio com outros andares administrativo, tanto horizontal quanto vertical, usam a Democracia e os cargos públicos para os quais foram eleitos , simplesmente, para enriquecimento ilícito, tornando a Nação uma verdadeira terra arrasada.

Nesse final de semana farei um balanço geral das atividades exercidas pelo Executivo e Legislativo Federal na composição de novas normas e procedimentos no combate ao Coronavírus e suas consequências positivas e negativas.

De uma coisa tenho certeza, a crise une os dois poderes políticos e administrativos para oferecerem um pouco de afeto ao povo tão esquecido pelas as autoridades competentes, apenas vistas quando as eleições se aproximam e eles têm o poder de tirar e colocar no poder do voto direto, os seus escolhidos.

A Democracia tem disso, muitas vezes a maioria escolhe alguns incompetentes para representa-la, quando você escolhe o incompetente e lhe dar o poder, o País passa a correr sério risco, pois o incompetente com o Poder na mão é um verdadeiro perigo.

Genival Torres Dantas

Poeta, escritor e Jornalista


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