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  • Foto do escritorGenival Dantas

Samba do Crioulo Doido


Em 27/09/2012, já decorridos seis anos e aquele marasmo se repete até hoje, os três poderes fica batendo cabeça e as soluções para os problemas vão sendo postergadas, na outra ponta o povo está sofrendo com as consequências negativas desse comportamento. Espera-se, com posse do Presidente eleito, Jair Bolsonaro, em 01/01/2016, tudo volte à normalidade, mesmo sendo previsível um começo de ano bastante agitado na vida pública. Leia o texto abaixo e note que a situação atual é um quadro em branco e preto de uma fotografia de um passado nem tão distante!


Quando Sérgio Marcus Rangel Porto, ou simplesmente Sérgio Porto, pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, escreveu a paródia “samba do crioulo doido”, em 1968, tentava ironizar os sambas de enredo que tinham como obrigatoriedade os temas históricos, ele simplesmente fez um samba sem nexo e sem sentido, mas inteligentemente usava a historia como cortina cultural. Transformando o absurdo numa obra inesquecível para a música popular brasileira.


O atual momento político brasileiro com vênia ao ilustre autor, como dizem na linguagem jurídica, virou um verdadeiro samba do crioulo doido. Por conta da atuação dos ministros do STF, Supremo Tribunal Federal, e na tentativa de evitarem constrangimentos maiores, alguns políticos tem se superados no que se refere a iniciativas, no mínimo contraditórias, vamos aos fatos:


Na última semana, por iniciativa do PT, foi feita uma nota atacando a chamada “forças conservadoras”, que estariam tentando um golpe no sistema, quando a oposição procura de todas as formas levar ao centro do epicentro, mensalão, a figura do ex-presidente Lula. A nota referenciada seria de apoio incondicional ao ex-presidente, causando discórdia entre membros dos partidos, foi assinada pelo presidente do próprio PT, e subscreveram o documento os presidentes dos partidos da base aliada, PSB, PMDB, PC do B, PDT e PRB, os demais partidos da base, mas com envolvimento, e que estão sendo julgado, no processo do mensalão ficaram fora dessa prática.


Alguns membros desses partidos se sentiram incomodados, especificamente dois membros do PDT, senadores José Pedro Gonçalves Taques (MT), e Cristovam Buarque (DF), que se sentiram magoados por não terem sidos consultados, mesmo por que não estão de acordo com o conteúdo do documento. Alegam os descontentes, trata-se de uma iniciativa fora de propósito e não condiz com a nossa realidade, nem a necessidade de tal iniciativa. Uma verdadeira saia justa para os demais membros dos partidos da base que estão alinhados ao verdadeiro estado democrático de direito.

A comissão nacional da verdade criada para levantar as violações de direitos humanos no Brasil, durante o regime militar, 1964/1985, em outras palavras, se declara que tem, apenas, atribuições legais no sentido de investigar condutas de agentes públicos ou mesmo pessoas a serviço do Estado. Resolve trabalhar no sentido de levantar os dados ao que se refere aos crimes imputados nessa direção, Ficando fora de qualquer investigação os atos da sociedade civil, atos terroristas. Partindo do pressuposto de quem estava certo e quem estava errado. Iniciativa no mínimo revestida de censura prévia, tão combatida por todos nós, durante tanto tempo.


Numa atitude sem justificada, o governo federal corre com urgência para que o ministro Teori Zavascki, seja sabatinado hoje, dia (25), e confirmado nessa mesma data em votação no plenário da casa, ou seja, do senado federal. A oposição tenta negociar com o presidente, senador José Sarney (PMDB-AC), para que o procedimento seja após as eleições do dia 07 de outubro próximo.


Alega a oposição que a aprovação Zavaski, para a vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal, com a aposentadoria do ministro Cezar Peluso, no inicio desse mês, pode influenciar no julgamento do mensalão, pois, ele pode se desejar participar do próprio julgamento do caso mensalão). A oposição não questiona o ministro, mas a pressa do governo.


Esse assunto foi motivo de questionamento pelos dois únicos senadores, Álvaro Dias (PSDB-PR) e Cristovam Buarque (PDT-DF) que usaram a tribuna do senado, no dia de ontem, (24). Infelizmente eles se revezaram na tribuna e presidência da casa, pois o plenário estava vazio, o que é profundamente lamentável. Os dois senadores falaram para um plenário sem eco e sem testemunhas, quando era tratado um assunto de tamanha importância, entretanto, sendo tratado pelos políticos como um caso comum, preferindo, a grande maioria dos políticos, ir à busca de outros assuntos das suas respectivas regiões, ficando nos seus redutos eleitorais, virando as costas para os interesses nacionais aqueles que deviam ficar zelando pelos assuntos da federação.


O presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Sepúlveda Pertence, renuncia ao cargo após duas indicações dele, Marília Muricy e Fábio de Sousa Coutinho, à recondução aos cargos de conselheiros da comissão, caso não sejam aprovados pela Presidência da República. Esse ato gerou um profundo mal estar no Ex-Ministro Sepúlveda Pertence, e não teve alternativa a não ser renunciar ao cargo.


Esses três assuntos nos deixa perplexos e indignados, parece até que a instituição chamada Brasil se transformou num assunto menor para nossas autoridades, ou a gravidade do momento é tão grande que leva os nossos administradores e legisladores de forma aleatória, sem nenhum sincronismo, ou mesmo sintonia.

Lamentando e vivenciando pelo que estamos passando, lembrei-me da letra da paródia do Stanislaw Ponte Preta, “Samba do Crioulo Doido”, que em determinado trecho diz o seguinte: Joaquim José, que também é da Silva Xavier, queria ser dono do mundo, e se elegeu Pedro segundo. Das estradas de Minas seguiu para São Paulo, e falou com Anchieta, o vigário dos Índios. Aliou-se a Dom Pedro e acabou com a falseta. A barafunda da letra se assemelha com o nosso real momento da vida pública.


Genival Torres Dantas

Escritor e Poeta

genivaldantasrp@gmai.com

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