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  • Foto do escritorGenival Dantas

Qual é o legado que deixaremos aos nossos descendentes (05/08/2020)



O Líbano floresceu há mais de dois mil anos, entre 2700 e 450 a.C, a história reza a sua conturbada crise por muitos séculos com o estabelecimento de refúgio, em suas montanhas, para os cristãos e os cruzados tento estabelecido na região suas fortalezas, com o fracasso do Império Otomano no período da primeira Guerra Mundial e a crise da pandemia da gripe espanhol, a Liga das Nações sentencia que as províncias, hoje o Líbano fossem administradas pela França.

Com a elaboração da constituição do Líbano, 1926, surge o equilíbrio do poder político com a paz entre os vários grupos religiosos que componham a região, dessa forma os franceses tiveram que se retirar daquela região, 1946. Mesmo com a independência e a prosperidade, principalmente pela atuação de Beirute como centro financeiro e comercial, a turbulência política se restabelece.

Foi no período dos anos 1960 o Líbano vive um período calmo e prospero com a exploração do turismo, não obstante a pobreza explícita em outras regiões do país. Anos 1970, a crise se estabelece tanto na política com na sociedade como um todo. Entra em cena a OLP, Organização Para a Libertação da Palestina, se estabelecendo no território libanês. Entre 1975 e 1990 o país praticamente é destruído pela guerra civil envolvendo os cristãos e muçulmanos.

Paralelamente aos conflitos religiosos e civis outras questões foram se formando como a dos refugiados palestinos, a participação do fundamentalismo islâmico, dos EUA e Síria, além de Israel que ocupou parte de uma faixa de terra ao sul do país, tirando a estabilidade o Estado.

Entre 1995 a 2002 é eleito o período da reconstrução e a retirada do território libanês dos EUA e Israel, ocorre à transferência da OLP para o norte da África, pendente ficaram as questões dos refugiados palestinos e a presença síria nos assuntos dos libaneses e a organização Hezbollah.

Saindo do passado e parando no presente, é sabido que as autoridades libanesas já sabiam, desde 2014, a tragédia de ontem, 04/08, era um fato que se anunciava, não só pelo longo período de armazenamento e a quantidade do Nitrato de Amônia que era estocado, 2.700 toneladas, no porto de Beirute. Agora não adianta o governo de a Líbia informar que irá responsabilizar pessoas envolvidas na explosão, a tragédia aconteceu.

Esse tipo de insumo, matéria prima, para produção de outros produtos, é responsabilidade dos governos por toda sua logística, com controles, transportes, manuseios, indústrias de transformações e uso final dos produtos acabados.

Essa prática é universal, aqui no Brasil temos vários produtos tão controlados como o Nitrato de Amônia, todos eles são de responsabilidade do Exército e Polícia Federal, fui diretor de laboratório farmacêutico e sei dos controles mensais com o manuseio na compra, produção e venda, principalmente nos insumos para uso médico hospitalar e suas implicações.

Esse acidente, de ontem, não é um fato isolado com o mesmo produto, nos anos de 1940, século passado, nos EUA, ocorreu acidente, e no porto, na oportunidade dois navios foram detonados, com a perda de mais de 500 vítimas e milhares de feridos, assim como ontem, a negligência foi um fator determinante para que a tragédia acontecesse, o Nitrato de Amônia não explode isoladamente, tem que haver fogo para ocorrer à explosão.

Infelizmente, as 135 vítimas fatais já anunciadas e os 5000 mil acidentados são números que devemos ficar atentos, pois podem se transformarem em números mais tristes para os libaneses. Passamos momentos de angustias, os homens, administradores, distantes de suas responsabilidades.

Transforma nosso meio ambiente ainda mais perigoso do que já o é, não basta o que ele já faz provocando a natureza e o aparecimento de riscos naturais. A impressão que fica é que relevando o quão perigo é desconhecer o nosso próprio ambiente, tentamos fazê-lo mais arriscado não nos preocupando com suas reações aos nossos despropérios.

Genival Dantas

Poeta, Escritor e Jornalista




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