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  • Foto do escritorGenival Dantas

Poeta, Poesia e a Imortalidade


Para rememorar o texto de 25 de outubro de 2013, sobre os poetas da minha preferência, depois de cinco anos, fiz questão de reedita-lo e repasso ao caro leitor, como se segue:


Com o transcurso do aniversário do Vinícius de Moraes, 100 anos, que seria no último dia 19 e o dia do poeta, comemorado no Brasil no dia 20, próximos passados, resolvi fazer um trabalho lembrando aqueles, que considero como os maiores, entre os grandes, poetas da nossa língua. A poesia tem sua origem que antecede a escrita e é uma forma de comunicação que se distingue não como uma ramificação da arte, mas, para os mais entusiastas dessa forma de expressão, como a própria arte, dentro da cultura milenar. Muitos foram aqueles que se destacaram na defesa da poesia no decorrer da evolução das comunicações exercida pela humanidade. A língua portuguesa foi feliz com seus escritores, tendo esses sequenciados os fragmentos poéticos encontrados em cavernas e outros instrumentos de anotações que merecem nosso respeito, mesmo que rudimentar, principalmente pelo registro histórico dos nossos ancestrais.


Evidentemente que não podemos fazer um registro de todos aqueles que efetivamente enriqueceram a arte da poesia com suas segmentações e valores na nossa história. Assim sendo, fiz um apanhado daqueles que reputo serem os sete maiores poetas na contribuição dessa arte em nossa língua, e sobejamente enriquecida com a sabedoria vinda do além-mar, na cooperação dada pelos nossos irmãos lusos:

O português Fernando António Nogueira Pessoa, mais conhecido como Fernando Pessoal (1888/1935), com seus múltiplos heterônimos, sendo os mais famosos, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caieiro, tido como o maior poeta da língua portuguesa, nos deixou uma obra, muito embora não seja vasta, de uma profundidade impar, cultuada até hoje pelos seus admiradores.


O poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves, marcou a história da nossa literatura como Castro Alves (1847/1871), vivendo apenas 24 anos é reverenciado como o poeta dos escravos pela luta incessante e obstinada que trovou contra o sistema da época em apoio à libertação daquela classe e seu tráfico.


Foi no Rio Grande do Sul que nasceu Mário de Miranda Quintana, ficando conhecido em todo território nacional como Mário Quintana (1906/1994). Jornalista e poeta levou uma vida de desencontros, não tendo casado e por isso ele tem uma frase fantástica: “preferi deixar muitas mulheres esperançosas e fazer uma única desiludida”. Solteiro, viveu em hotéis, sendo despejado do Hotel Majestic, centro histórico de Porto Alegre, por falta de pagamento, sendo acolhido no Hotel Royal, na mesma cidade e de propriedade do ex-jogador da seleção brasileira, Paulo Roberto Falcão. Ali, ocupando um pequeno quarto desabafou a uma amiga: “Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas”. Foi um extraordinário escritor e poeta, mas como a maioria, não teve seu valor reconhecido em vida. Terminou seus dias em um apart-hotel, solitariamente.


O maior de todos os poetas paraibano sem dúvida é Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, o idolatrado Augusto dos Anjos (1884/1914), reconhecidamente o poeta do impossível. Teve como causa morte pneumonia, mas pelas suas poesias que tratava de assuntos tétricos ligados à morte, muitos foram as pessoas que associaram sua causa morte com tuberculose, doença tida largamente como surto epidemiológica à época. Sua genialidade estava na permeabilidade de sua obra com termos tais como: escarro miséria, horrenda, verme, evangelho da podridão; a facilidade que ele tinha de juntar o idealismo e materialismo, heterogeneidade e homogeneidade, vida e morte. Conciliar os opostos em perfeita harmonia nos versos constantes da sua obra completa que se resumia num único livro, EU. Entretanto, um dos poetas mais editados da língua portuguesa.


Um dos maiores cantadores e poeta do Nordeste brasileiro foi sem dúvida Antônio Gonçalves da Silva, ou simplesmente Patativa do Assaré (1909/2002). Ele que nasceu em Assaré, Ceará, vindo desse fato o apelido que imortalizou esse genial improvisador, foi também poeta popular, compositor e cantor, sendo laureado por cinco vezes Doutor Honoris Causa. Um dos mais consagrados compositores, fazendo verdadeiras crônicas da seca e da fome que sempre imperou no seu cariri e todo sertão nordestino, tendo em Luiz ‘Lua’ Gonzaga ‘Gonzagão’ do Nascimento, um dos mais constantes interpretes das suas músicas, interpretações que representava um grito de dor daquela gente sofrida do nordeste.


O interprete e compositor Francisco Buarque de Hollanda, o famoso Chico Buarque, premiado em inúmeros festivais dos anos 1960, com suas músicas de protestos, como: a Banda, Roda Viva, Calabar, Apesar de Você, além de outras canções imortais que fazem parte do cancioneiro popular, e clássica como Januária, Carolina, Olhos nos Olhos, Folhetim, e tantos sucessos, interpretados pela elite de cantores nacionais. Chico Buarque hoje faz parte de uma constelação de astros da nossa literatura com sucesso de peças montadas e livros lançados, premiados com justiça; apenas para ilustrar cito o Estorvo, Budapeste e o Leite Derramado. É realmente uma referência cultural em nosso país, e muito tem contribuído, com sua versatilidade, para o desempenho da arte em suas múltiplas formas de apresentação.


Finalmente, Marcus Vinicius de Moraes, ou apenas Vinícius de Moraes (1913/1980), o carioca que faria 100 anos, esse mês, foi um grande intelectual, tendo renunciado a vida diplomata para seguir escrevendo seus livros, compondo suas músicas e fazendo seus versos em homenagem, principalmente, a mulher brasileira. Vinícius de Moraes foi sem dúvida um artista completo, nos seus poemas e letras musicais além de homenagear a mulher com as músicas “Poemas dos Olhos da Amada, Rancho das Namoradas, Se todos fossem iguais a você, e muitas outras”. Teve uma relação muito íntima com o amor nas composições: “Insensatez, Canto de Ossanha, Amei Tanto, primavera, Modinha e Samba em Prelúdio”. Não se esqueceu das flores, objeto de inspiração dos poetas e românticos, compondo canções como “Rancho das Flores, Serenata do Adeus, Soneto da Separação e Morena Flor”. O poetinha, como carinhosamente era conhecido pelos seus amigos e parceiros de tantas canções imortais. Seus parceiros mais constantes em composições musicais foram: Toquinho, Chico Buarque, Tom Jobim, Carlos Lyra e João Gilberto.


Assim, termino o relato dos mestres que marcaram as suas e as nossas vidas com peças inapagáveis, trabalhos que falam do amor, da dor, do desterro, da paixão, da fome, da miséria, da terra inóspita pela sequidão, da morte macabra, e dos interstícios que fazem da vida um fenômeno fantástico. Não foram apenas os citados que merecem nossos reconhecimentos, mas todos aqueles que renunciaram muitas vezes a projetos de vida mais mirabolantes ou não, porém de efeito espetaculoso, quem sabe até submergido no oceano da simplicidade do viver modesto.


Escreveu um dia o mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902/1987), com todo seu poder de síntese e capacidade de expressão: “A cada dia que vivo mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade”.


Genival Torres Dantas

Escritor e Poeta

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