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  • Foto do escritorGenival Dantas

Pensar é o trabalho mais difícil que existe... (13/01/2021)





O Fato Sem Politicagem 13/01/2021


“Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por isso tão poucos se dedique a ele”. Essa é a frase inteira de Henry Ford (1863/1947), criador da montagem em série, dentro da indústria mundial, com o conceito de produzir em massa, em menos tempo e o menor custo. Uma ideia vitoriosa desenvolvida dentro da indústria automobilística e surgindo no mercado internacional uma mova matriz econômica revolucionando o mercado mundial.


Final do século XVlll e início do século XlX estava sedimentada os novos ditames industriais com perspectivas e esperanças de uma sociedade com novos hábitos e costumes. Surgiam novas molas propulsoras dentro da economia mundial, carros, projetos de aviões e a energia fóssil era tudo que podia acontecer para embalar sonhos e alimentar esperanças de riquezas com a implantação do conforto que se estabelecia por conta das invenções que surgiam diuturnamente.


No Brasil, no pós-guerra, 1904, aparece nas nossas terras o projeto Ford, cuja marca de carro era representada pela agência de William T. Right, exatamente na cidade de São Paulo. Em 1919 a primeira fábrica do Grupo Ford inicia a produção do modelo T, com peças importadas. Ali foi dado o grande passo para o futuro da indústria automobilística nacional. Com o passar dos tempos e a vinda de outras multinacionais esse segmento passou a ser chamado simplesmente de montadoras.


Em 1928 a Forlândia foi criada no Pará com 1,9 milhão de seringueiras para produção da borracha e a fabricação de pneus, numa forma de independência o Oriente, de onde se importava aquele produto essencial. Foi em 1934 que a Belterra era implantada, no mesmo Estado do Pará, agora com 3,2 milhões de seringueiras, como no projeto anterior, Forlândia, a plantação foi devastada por uma doença, nessa época era iniciada a segunda guerra mundial e a posse das terras é devolvida ao governo federal.


A partir de 1957 o primeiro veículo Ford brasileiro é lançado, o caminhão F-600, com 40% de nacionalização. Na sequência, 1964, o caminhão, mesmo modelo F600 já é produzido com 99% de nacionalização. A partir de 1968 a Ford promove o segmento de carros médios no Brasil lançando o Corcel. A empresa segue em passos largos em direção ao sucesso que sempre alcançou, com diversificação de modelos e linhas específicas, novas fábricas são abertas, saindo do eixo Sul/Sudeste, vai em direção ao Nordeste.


Ano de 2019, Era pandemia Coronavírus, com suas vendas em queda a Ford, fecha sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP) divisão Ford Caminhões. Depois de grandes lançamentos, projetos nacionais com repercussões internacionais, modelo como o Galaxie 500, considerado o mais luxuoso na categoria, o Maverick, sonho de muitos consumidores, o ECOSPORT, o primeiro SUV compacto produzido no Brasil, virando um carro de preferência global. Não podemos esquecer-nos da produção das camionetes modelos F-100, F1000 e outras todas de retumbante sucesso.


Não foi fácil acreditar no que estava sendo anunciada, a Ford se retira do mercado nacional, sem uma única comunicação ao comando do nosso país, com seu parque industrial, passando a atender o Brasil com produtos importados, manterá o comando da América do Sul em nosso país, seremos atendidos pelos nossos vizinhos, fabricantes mais próximos, contando com o apoio logístico e comercial do nosso rival e vizinho Argentina. Isso, na linguagem chula, é pior que derrubar e chutar a bunda.


Em qualquer situação não é possível que um governo que se preze, permita que uma empresa do porte da Ford, expressão internacional, grande potencial comercial e industrial, enorme contingente de funcionários envolvidos, simplesmente desdenha, faz pouco caso e não procure estabelecer uma via de mão dupla, na tentativa de demover a empresa de se retirar do nosso país. Tudo bem que seja uma iniciativa da sua sede administrativa sediada nos EUA, mas quase 120 anos.


Não podemos deixar de reconhecer que a Ford hoje é um grande Grupo, mesmo operando em vários mercados internacionais, foi superado pela concorrência, se deixando abater pelos chineses, Japoneses, Sul Coreanos, além de outros países que souberam se adequar ao novo momento das tecnologias de pontas, tendo que refazer seus planos retrocedendo nos novos projetos de investimentos em novos mercados com novos produtos para oferecer ao mercado consumidor.


O mundo avançou em direção ao futuro, o que era algo espetacular em um passado bem próximo hoje representa algo superável e superado, portanto as empresas que não se moldaram aos novos tempos ficaram ou ficarão para trás. No caso da Ford Brasil a situação não foge ao que já se esperava na esfera internacional, muito embora já se comenta que a empresa, induzida pela participação do governo federal, representado pelo ministério da economia, poderá reverter a situação no Estado da Bahia, local que opera com uma unidade produtora.


Particularmente só vou acreditar que essa situação é real quando os fatos forem consumados, acredito muito mais na retirada da empresa do território nacional passando a operacionalizar com seu comando para a América Latina, a partir do Estado de São Paulo. Debitar essa situação apenas na falta de visão do mercado pela Ford, ou avaliar que a pandemia do Coronavírus foi determinante nesse caso, até mesmo simplificar a situação jogando todo peso da responsabilidade sobre os ombros do governo Bolsonaro é ser simplista.


Acredito que a conjuntura econômica mundial, que passa por profunda transformação somada aos fatores acima referenciados foi determinante para esse triste fim, agora, caso o nosso governo não faça uma reengenharia no seu plano de governo se voltando mais efetivamente no tratamento com o trabalho e o capital, binômios de sustentação do capitalismo, haverá mais perdas para o futuro com o resultado final de muitas lamentações.


Não adianta chorar as mágoas e alegar que já somamos US$69 bi nos últimos seis anos em socorro de matrizes de montadoras no país, que as perdas dos empregos diretos e indiretos serão superadas, o mercado não é empregador, e que estamos preparados para situações adversas.


É bom lembrar, uma única unidade produtora da Ford em nosso país responde por mais ações trabalhistas que a soma de todas as ações trabalhista no mercado internacional, esse é um recado direcionado aos sindicalistas que sempre estão buscando protagonismo com ganhos positivos para os seus associados, nada se sustenta quando há desequilíbrio na balança.


Genival Dantas

Poeta, Escritor e Jornalista






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