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  • Foto do escritorGenival Dantas

Nossa cultura corrupta é um sistema continuado(27/07/2020)


Mostrando que o tempo passa e os crimes continuam em evidências, dentro da política nacional, as operações da Justiça e a Polícia Federal continuam em ação, muito embora a PGR (Procuradoria Geral da República) tenta de alguma forma inibir o trabalho operoso e dinâmico, principalmente da Operação Lava Jato, situada no Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, não sabemos exatamente os motivos pelos quais existe essa disposição de contenção nas ações do Projeto de caça aos corruptos e corruptores, pelo menos é a mensagem que tem chegado ao público em geral.

A Operação Lavajato não é singular, outras operações se formaram no combate ao crime organizado da corrupção e tem se disseminado pelo território nacional e em todos os níveis de governo, como enumeramos abaixo alguns casos:

· Ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT) – A polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão, dia (23), contra o ex-governador supracitado, a operação denominada de Alto Escalão, buscava provas contra fraudes na saúde no Distrito Federal, à época da gestão do ex-governador, por esse fato a casa do Agnelo Queiroz foi visitada pelos policiais que apreenderam celulares, computadores e arma de fogo sem registros, Agnelo Queiroz teve que se dirigir à delegacia e se explicar, pagando fiança de R$ 3 mi, sendo liberado em seguida. Nessa mesma operação outros 13 mandados foram emitidos;

Os supostos crimes referenciam-se ao pagamento de propina como condição de acerto de contrato de compra de leitos hospitalares, em 2014. Suspeita-se de suborno de R$462 mil, o equivalente a 10% do valor do contrato. Além de servidores do setor da Saúde há a participação da Adriana Aparecida Zanini, vice-presidente do Ibesp, empresa corruptora, na casa da presidente da empresa foi encontrado mala com dinheiro, em cédulas em reais e dólares, correspondendo a R$ 250 mil. O delator do caso foi fornecedor dos leitos hospitalares, Wilham Donizete de Paul. O Ministério Público de Brasília ainda reuniu outros indícios a partir de quebras de sigilo.

· Operação Calvário, Ricardo Coutinho (PSB) ex-governador, Paraíba – o ex-governador virou réu acusado de receber propina de R$ 900 mil de empresário estabelecido naquele Estado e na área da saúde, em João Pessoa, Capital. A Juíza Michelini Jatobá acatou denúncia por desvios de R$ 134 milhões da saúde durante seu mandato (2014-2018).

· Pedido de impeachment do governador Carlos Moisés (PSL), Santa Catarina – A Assembleia Legislativa de SC abriu dia (22), processo de impeachment do governador Carlos Moisés, por crime de responsabilidade na concessão de aumento salarial a procuradores por “decisão administrativa”. O governador anunciou que só vai se pronunciar após ter conhecimento do parecer da Procuradoria da Assembleia Legislativa.

· Governador Wilson Witzel (PSC) Rio de Janeiro, recorre ao STF – o governador Witzel apresentou reclamação ao Supremo Tribunal Federal para “desconstituir” a comissão que conduz seu processo de Impeachment na Assembleia Legislativa. Alega o governador, que é Juiz, a casa não adotou o rito correto e estaria descumprindo jurisprudência da Corte. O governador é acusado em operações que alegam desvios na saúde do Estado do RJ. Fato negado pelo governador.

A operação do Ministério Público do Rio de Janeiro e São Paulo, dia 23, prenderam cinco pessoas ligadas ao Instituto de Atenção Básica e Avançada da Saúde – Iabas, por suspeita de crimes de lavagem de dinheiro e peculato, em contratos na saúde vinculados tanto na Prefeitura como no próprio Estado. O assunto está sendo tratado com levantamentos junto aos órgãos competentes.

· Ministro Alexandre de Moraes, STF, relator do inquérito das fake news, determina o bloqueio de 16 contas, dia 24, de empresários, influenciadores, políticos e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, investigados naquele inquérito, por divulgarem notícias falsas, ofender e ameaçar autoridades, conforme investigações do próprio STF. Na sequência o presidente Bolsonaro e o advogado-geral da União, José Levi Mello do Amaral Junior, pediram junto ao Supremo a suspensão do bloqueio em questão. Em seguida o subprocurador-geral do Ministério Público, junto ao Tribunal de Contas da União Lucas Furtado Rocha e parte da oposição no Congresso, emitiram críticas por considerarem a atitude do presidente e do advogado-geral da União como desvirtuamento do papel constitucional da AGU.

· Dois ex-governadores e um só Partido – Depois do ex-governador José Serra (PSDB), São Paulo, ter sido delatado pelo ex-diretor-presidente de um dos braços do grupo Qualicorp, Elon Gomes de Almeida, por suposto esquema de caixa dois, valor de R$5 milhões, com repasse de notas de serviços dissimulados, foi a vez do também ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) ser denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, sob acusação de ter recebido R$11,3 milhões da Odebrecht, supostamente irregulares, para financiamento de campanhas eleitorais de 2010 e 2014. Vale lembrar que os dois acusados negam peremptoriamente as acusações formuladas;

· Terceira etapa da Operação Topique – o gabinete, em Brasília, da deputada e primeira dama do Estado do Piauí, Rejane Dias, esposa do atual governador daquele Estado, Wellington Dias, foi alvo de buscas pela Polícia Federal, hoje 27, conforme a própria PF ela é alvo nas investigações de suposto esquema fraudulento nas licitações de transporte escolar, correspondente ao período de 2015/2017, durante sua gestão como secretária da educação. Os valores manipulados correspondem ao montante de R$50 milhões, parte deles teria sido usada em vantagens indevidas. Convém ressaltar que o governador não foi molestado.

Considerando as reais dificuldades que atravessamos, em termos financeiros, na administração pública, é de se lamentar que a cultura corrupta dos nossos políticos se mantenha atuante nos quatro quadrantes do país. O que constatamos é que não há diferença de cargos e nem partidos, temos um verdadeiro balaio de gatos administrando nos recursos públicos, o que é profundamente constrangedor para a nossa e as próximas gerações.

Genival Dantas

Poeta, Escritor e Jornalista




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