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  • Foto do escritorGenival Dantas

No final da guerra quem assumirá o prejuízo(20/05/2020)



Aproveitando a interinidade, ou mandato tampão, como Ministro da Saúde, o General Eduardo Pazuello, assina novo protocolo para uso da cloroquina, possibilitando o uso do medicamento na fase inicial da contaminação com o Coronavírus. O Presidente Bolsonaro aproveita a oportunidade que o General não tem formação médica, portanto, sem risco de ser condenado pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e implanta no meio médico seu desejo latente desde o começo da pandemia.

O mundo fica assistindo o comportamento do nosso Presidente, em um gesto transloucado, impor uma situação adversa, contrariando a maioria dos cientistas médicos, por teimar em usar o produto em decorrência da falta de fundamentos técnicos que justifiquem sua aplicação. Dessa forma e, novamente, na contramão da história, segue Bolsonaro na sua trajetória inglória em direção ao cadafalso político. Esperamos que o novo Ministro da Saúde, quando indicado, se o próprio General for efetivado, tenha a coragem suficiente e coloque os postos nos seus devidos lugares.

Esperamos que o próximo Ministro da Saúde seja da área médica e tecnicamente reconhecido no meio científico, o momento é muito delicado. Não estamos julgando o General como incapaz para o exercício da função, por não ter formação médica, é que a situação atual exige cuidados específicos, já tivemos um Ministro da Saúde sem formação na área médica que teve atuação extraordinária, refiro-me ao atual Senador José Serra, foi Ministro da pasta de 1998/2002, Governo Fernando Henrique Cardoso.

Foi ele quem, praticamente, quebrou a barreira que existia no mercado farmacêutico, criando novo protocolo, implantou os genéricos, barateando o custo dos medicamentos em benefício do Brasil, regulamento a lei de patentes encaminhando resolução à Organização Mundial do Comércio, para licenciamento compulsório de medicamentos, no caso de interesse da saúde pública, ele eliminou os impostos federais dos medicamentos de uso continuado, seu projeto foi copiado por outros países e elogiado pela ONU.

José Serra introduziu a vacinação dos idosos contra a gripe, estimulou a cirurgia, por meio de mutirões, no combate de várias doenças, dentre ela a catarata, ampliou as equipes do Programa de Saúde da Família, criou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Foi na sua gestão e por seu incentivo que o projeto de leis 3.156/2000, tornando mais atuante à política antitabagista, proibindo a publicidade e alertando os riscos do vício, com imagens impactantes e expostas nas embalagens de cigarro. Foi sancionado e dando origem à Lei nº 10.167/2000, regulamenta pela ANVISA em 2001.

O que objetivamente objetivamos é que o país volte a ter um comando único com harmonia entre os Poderes, que seja uma única voz de comando entre as esferas Federal, Estaduais e Municipais, chega de desarmonia, a população se sente sem rumo, tantas são as informações e orientações demandadas e ninguém sabe a quem obedecer, é tal de abre e fecha, sai e volta, pode e não pode, parece até circo de palhaços com piadas fracas e sem graça.

Enquanto isso, lá fora, o mundo começa a se organizar, é tempo de começarmos a pensar na retomada, essa onda devastadora vai passar logo mais, muito embora a nossa curva continue ascendente, a tendência, como aconteceu em todos os países é ela começar a projetar-se decrescente. Nessa hora temos que ficar preparados para o novo amanhã que virá com todos os traumas, dramas e incertezas.

Não podemos esquecer que em todas as calamidades que atingiram a humanidade com a compendiara de muitas vidas, e tantas foram que marcaram nossos antepassados, cujas memórias nos entristecem até hoje. Mesmo assim, não nos fizemos de vencidos e muitos projetos vitoriosos, em termos empresariais, nasceram durante ou logo após as crises que passamos e várias ordens.

Em um passado não tão distante, para o desenvolvimento industrial, em 1890 a General Eletric surge no cenário internacional e se mantem em evidencia até os dias atuais, se mantendo como uma das líderes de mercado em seu segmento; a Indústria General Motors em 1908, outro momento de crise, surge no mercado automobilístico para brilhantismo e glória desse mercado; e foi em 1923 que a Disney inicia seu sucesso retumbante e continua firme encantando o mundo da fantasia das crianças e adultos que passam por lá;

Mais recente, em 1975 no novo mercado da informática surge a gigante do setor superando todas as expectativas criadas em seu entorno; em 2009 os novos tempos apresenta ao mundo, não um segmento novo, mas, a Uber, empresa que veio para ficar, concorrente direto do mercado de táxi, ou automóveis de alugueis, com uma nova imagem e conceito diferenciado de tudo que havia até então.

Há um mercado que até o advento do Coronavírus estava se firmando e com grande sucesso que são os startups, pequenas empresas de empreendedores jovens, com espírito e capacidade de inovação e atirada no mercado, elas juntas, no mercado mundial, entre 2018/2019, capturaram aproximadamente US $ 600 bilhões, número significativo para um mercado iniciante.

Paralelamente, surge um novo conceito de tele entrega, entrega em domicílio, delivery, esse mercado aparentemente modesto ganhou força nessa hora de isolamento e a tendência é que tenha vindo para ficar. Muitos conceitos serão mudados e novas formas de comércio vão surgir para atender hábitos e costumes adquiridos na passagem da pandemia.

Entendemos, enquanto nossas autoridades ficam se digladiando, discutindo o sexo dos anjos, querendo mostrar quem manda mais, em uma verdadeira afronta à Constituição Federal, o tempo passa, a pandemia é vencida nos quatro cantos do mundo e nós ficamos pagando mico para nações inferiores econômica e tecnicamente a nossa.

Genival Torres Dantas

Poeta, escritor e Jornalista

genivaldantasrp@gmail.com.br



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