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  • Foto do escritorGenival Dantas

Não existe sucesso eterno nem artistas para sempre

Atualizado: 15 de set. de 2019


Quando diminuímos a decepção que as pessoas têm por nós a vida torna-se mais palatável e tornamos os valores que respeitamos mais acessível aos nossos interlocutores. Seguindo esse pensamento tenho meditado muito a respeito do que tem acontecido nos últimos 60 anos, a juventude foi transviada, musicalmente falando, passamos por um processo de grandes festivais, a tolerância entre os jovens e os mais maduros teve uma evolução dentro da razoabilidade.


Quando nos remetemos a um passado recente, imaginamos que a Garota do Roberto, a Valdirene, deve ser avó; O Trio Esperança por desesperançar de tanto ver o filme triste não trilhou por caminhos mais alegres dentro da MPB; A Mesma Praça do Carlos Imperial e imortalizada por Ronnie Von, nada é mais igual, já não é mais point nem mesmo visitada por namorados que trocavam juras de amor, hoje é um local ermo, pouco iluminado, retiro de moradores de rua se acomodando do frio e da garoa noturna.


A Moça Feia não mais debruçou na janela, pois, ficou certa que a banda não tocava para ela, pura ilusão como é a própria vida, aqui fica o registro de preconceito por um dos mais ilustres poetas da nossa língua, Chico Buarque, talvez até por querer apenas rimar sem ofender; Disparada ficou na memória de todos nós como uma música dos tempos de protesto, assim como Para não dizer que não falei das flores, do mesmo compositor, Geraldo Vandré, no tempo do Regime Militar.


Domingo no Parque já não tem o mesmo encanto, José e João não aparecem mais, até mesmo seu criador Gilberto Gil se esqueceu de lembrar-se dos velhos tempos, Qualquer Coisa, como afirmar, Sou o Seu bezerro Gritando Mamãe, já não se escuta mais, Caetano enveredou por veredas tropicais; A Garota de Ipanema já não tem mais seus encantos, Vinícius de Moraes e Tom Jobim, seus criadores, estão em outras praias em local incerto e ignorado.


Até mesmo aquele que era apenas Um Rapaz Latino Americano, Belchior, não suportou a ausência da terra amada, em outros cantos distantes desapareceu por encanto; do Porto Solidão partiu Jessé levando na bagagem toda sua inteligência interpretativa nos deixando saudosos das suas lembranças; por fim, a nossa pimentinha Elis Regina cantou tanto o Bêbado e o Equilibrista, do João Bosco, que desequilibrou no palco e prematuramente foi em busca de outros aplausos.


E para nós o que sobrou da MPB, com raríssimas exceções, somos obrigados a conviver com um movimento de música ruim, de péssimo gosto, sem nenhum poder de criatividade. Estamos expostos a ouvir conjuntos sem ritmos, cantores e cantoras que representam o fino da desafinação, pouca voz e qualidade de composições duvidosas.


Espero que estejamos no fundo do poço, em termos de MPB, que surja novos talentos para trazer novo alento musical, dizem que quando a coisa está ruim é que algo de novo e de bom pode surgir, assim esperamos e torcemos.


Genival Torres Dantas

Poeta e Escritor

genivaldantasrp@gmail.com

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