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  • Foto do escritorGenival Dantas

De biscateiros aos grandes conglomerados o Brasil não será o mesmo(26/04/2021)





O Fato Sem Politicagem 26/04/2021


Não apenas o Brasil, o nosso planeta passará por uma transformação expressiva depois da pandemia do Coronavírus. Já havia uma mudança em marcha depois da crise do petróleo no início dos anos 1970 quando em 1973 os EUA apoia Israel durante a guerra do Yom Kippur, os países árabes se organizam no entorno da OPEP, inflacionando o valor do preço do barril de petróleo em mais de 400%; chegando a março de 1974 com preços nominais subidos de U$3 para U$12/barril.


Essa mudança de comportamento no mercado do petróleo trouxe consequências de grande monta para a economia mundial, aqui no Brasil sentimos a necessidade de buscar novas alternativas para o consumo das fontes energéticas em substituição aos combustíveis fósseis, com lançamento em 1975 do Proálcool, decreto nº 76.593, visando estimular a produção do álcool, viabilizando um mercado novo tanto para o consumo interno como o externo.


Esse projeto tinha uma série de características favoráveis ao Brasil por fatores imprescindíveis ao mercado que se anunciava conservador aos nossos recursos naturais, além de ser menos poluente, barato considerando o convencional em uso, solúvel em água, produção simples e, o mais importante, renovável. Foi um projeto vitorioso e bem-sucedido no combate a crise do petróleo que vinha gerando instabilidade econômica nos mercados de dele dependia.


Fatores adversos começaram a transformar nossa alegria em tristeza e aos poucos fomos sendo questionados por alguns fatores desfavoráveis, quais eram: preço variável, menos eficiente que os combustíveis fósseis (muito embora não renovável) necessidade de grandes áreas para cultivo da cana de açúcar matéria prima do novo combustível e baixa eficiência no período do frio; ademais, no decorrer dos anos de 1990, ocorreu redução no preço do barril de petróleo, em decorrência de briga comercial dos seus principais produtores.


A crise global de 2008 atacou a credibilidade do setor neoliberal, conceito adotado por boa parcela dos governos, sempre de mãos dada com o lema da economia real, pautada na velha produção e trabalho. Foram no decorrer dessa fase que se efetivaram grandes transformações no setor bancário e financeiro, não podemos esquecer que em 1980 a participação dos lucros das empresas e em 2007 ´passou para 40%, percentual abocanhado pelos bancos.


Na sequência os grandes Bancos foram engolindo os menores, alguns nem tão menores, com fusões, e ou incorporações, como o Banco Econômico, Bamerindus, Nacional e o Mercantil, apenas para citar 04 organizações do setor privado. Até 2002, sete bancos estaduais passaram para a economia privada: BANERJ, Bemge, Baneb, Credireal, Beg, Bea e Banestado. Outros três: Bandepe, Paraiban e Banespa, foram adquiridos por bancos estrangeiros.


Nessa pandemia os bancos continuam em processo de adaptações, sugiram nesse espaço de tempo o avanço dos startups (fintechs), os famosos bancos digitais com seu atendimento online, tão bem recebido pelos usuários, fizeram os bancos comerciais procurar nova realidade de custos para seus clientes, mesmo assim, o avanço desse novo segmento é real, mesmo com uso de aplicativos oferecidos pelos Bancos convencionais à perda de mercado já é sentida.


Na esteira das transformações aquilo que parecia impossível vem ocorrendo nas Capitais e grandes cidades, com o processo de isolamento e recolhimento, mais ainda, o novo método de trabalho em Home Office, e a capacidade de racionalizar tempo e resultados positivos, condomínios de muitas cidades de médio e grande porte têm buscado oferecer aos seus condôminos uma opção mais caseira e meritória, com a possibilidade de abastecimento local com minimercados.


Trata-se de uma oportunidade surgida da necessidade aliada à conveniência, o pequeno empresário negocia um espaço dentro do condomínio, preferencialmente próximo à área de lazer, o aluguel corresponde a um percentual das vendas brutas, efetivamente realizadas, com mão de obra que pode ser aproveitada dos próprios moradores, aposentados ou não e que estejam dispostos ao trabalho de reposição, atendimento e outros.


Isso não é uma normal, mas pode ser uma mostra de como aquilo tipo de comercio pode vir funcionar, trazendo benefícios para todos e o retorno da velha mercearia, até mesmo com o retorno da antiga caderneta, ou caderno de anotações, das compras feitas e a confiança entre o comerciante e o freguês. É uma modalidade de comercio que vem acompanhada da necessidade mútua, emprego para quem precisa trabalhar e a comodidade para as pequenas compras.


Lembrando, os grandes mercados, normalmente estabelecidos em mega lojas e shoppings, com custos operacionais estratosféricos, devem começar a pensar nesse segmento de mercado, operacionalizar um negócio desse porte é barato e com atendimento personalizado dentro da própria casa do cliente. Caso esses empresários não estejam dispostos a investirem em negócios menores vão perder a oportunidade de ficar mais próximo do consumidor final, seu real cliente e mantenedor.



Genival Dantas

Poeta, Escritor e Jornalista







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