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  • Foto do escritorGenival Dantas

Cuidar da terra é tratar bem da vida e da Pátria (30/09/2020)




O Fato Sem Politicagem 30/9/2020

Em 1947, a Atlântida já se consagrava na maior produtora brasileira tendo no controle da empresa o empresário exibidor de filmes Luís Severiano Ribeiro Junior. Foi nesse período que a chanchada cria consistência, com imitações e críticas debochadas ao modelo hollywoodiano, numa demonstração inequívoca de brasilidade artística, mesmo sendo contestada pelos críticos, mesmo contra o preconceito cultural da elite sem bandeira definida, como críticos, a Atlântida marcou presença com suas produções ingênuas e divertidas ao mesmo tempo, marcando uma geração da qual faço parte com muito orgulho.

Essas lembranças clarearam minhas memórias e me deu um norte para falar daquilo tão presente em nossos dias, ou últimos dias, as chanchadas políticas produzidas em Brasília, em torna da Praça dos três poderes e com atores de tão originais, principalmente nas comédias do dia a dia, superam de longe nossos maiores astros da Atlântida e seus sucessores. Não é nenhuma piada pronta, simplesmente tem nos causado consternação e piedade as atuações desses protagonistas que insistem em apresentar determinados textos para apreciação dos que devem aprová-los para a devida degustação do pobre público expectador atônito.

Refiro-me a duas situações distintas e claras, a primeira é a insistência do Poder Executivo, sem nenhum projeto de governo e ausente de propósitos governista, tenta se enrolar na bandeira da reeleição e manda ao Congresso Nacional projeto de reforma fiscal, disfarçada de ação em pró dos mais necessitados, composto de verdadeiras pedaladas e crimes quando insinua uso de valores que pertencem ao pagamento de precatórias, sua postergação envolve problemas legais e morais, além, evidentemente, de decência administrativa.

Tanto o presidente Bolsonaro quanto os seus auxiliares mais diretos, todos, pelo menos os envolvidos nesse processo, totalmente analfabetos formais em contas públicas, no linear de formatarem um verdadeiro casuísmo jurídico, apresentando pedaladas fiscais, burlando a legalidade dos fatos, propondo calote temporário, isso significa dívidas do governo reconhecidas juridicamente, portanto obrigações financeiras vinculadas a ordens judiciais. Assim, uma ação danosa a qualquer governo que tenha um mínimo de compostura e dignidade.

Para demonstrar toda sua empáfia, despreparo e desprezo pelo que é mais digno numa sociedade, a classe estudantil, persiste o governo em retirar gordura do Fundeb, valores fundamentais na formação da nossa juventude que é o alicerce da nossa população. É claro que queremos ações sociais do governo em direção aos mais carentes nesse momento de perdas irreparáveis para aqueles afetas pela pandemia do Coronavírus, cerceados nas suas ações, mobilidades e procura de possibilidades rentáveis para superar a tragédia formada durante esses mais de seis meses em isolamento obrigatório e por força de orientações oficiais, sejam elas municipais, Estaduais, e ou até mesmo Federais. Não vamos aqui discutir o sexo dos anjos.

Todos nós já tínhamos certeza que o grande espante viria de todas as camadas sociais, não só dos políticos, mas do judiciário e da própria sociedade civil como um todo. O que fica configurada é a total ausência de bom senso por tarte do governo ao tentar mostrar o seu lado solidário, nessa hora não demonstra nenhuma criatividade, apenas copia ações de governos passados, usando termos já até mesmo repaginados, tenta substituir o Bolsa Família, por uma Renda Brasil, não emplacando inicialmente é transformada em Renda Cidadã, de forma absolutamente desarticulada e troncha.

A outra situação que nos fere pela bestialidade com que ela se apresenta é o propósito do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, no afã deletério de transformar nossos controles ambientais em preservação do ecossistema em verdadeiro celeiro de peralvilhos protetores da selva, savana, mangues, flora e fauna, formadores do nosso território e em constante formação e renovação anterior ao nosso descobrimento. Lamentável que uma autoridade desse nível possa propor no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), revogação de quatro resoluções (uma em vigor desde 1999, outra de 2001e outras duas de 2002).

Há um verdadeiro esquema de desmonte do nosso meio ambiente, implantado pelo atual Ministro que pretende impor regras e posições indo de encontro aos interesses nacionais e privilegiando corporações nada defensoras do interesse geral. Mas, nem todos dormem ou cochila no ponto, muita gente está perfeitamente alinhada aos interesses de proteção as terras por todos nós defendidas. Ninguém é de dono de terra nenhuma, simplesmente temos o direito de uso enquanto aqui estamos como cidadãos, dessa forma e por esse direito vamos lutar pela sua integridade até o fim.

É bom que se diga, sabemos das empresas interessadas em áreas que se encontram em nosso litoral, tão maltratadas pelo poder público e seus rebentos, componentes de empresas privadas interessados na exploração imobiliária com assentamento de projetos para uso das terras no entorno e dentro dos manguezais. Ainda, uso dos próprios manguezais para formação de fazendas com criação de camarões, lembrando que esse tipo de empreendimento representa cerca de destruição global de 38 até 50% dos manguezais brasileiros. Lembrando que a carcinicultura no Brasil já se encontra em 30.475 hectares, dentro dos nossos mangueis e se constitui na principal exploração econômica dessas regiões.

É bom deixar claro que esse tipo de atividade responde por 50% do desmate dos mangues, mais sentido na região nordeste, local onde o abuso paga pela destruição do nosso bioma. É preciso que se encontre uma forma de proporcionar o trabalho ao homem, mas que seja feito de uma forma sustentada, sem agressão ao meio ambiente, o homem tem que ajudar na manutenção das áreas mais longínquas dos olhos das leis e não se transforma em um dos seus perversos exploradores, as nossas riquezas estão no nosso trato e na nossa educação para com a terra, se dela nos servimos dela devemos cuidar com amor e afeto.

Genival Dantas

Poeta, Escritor e Jornalista



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