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  • Foto do escritorGenival Dantas

Brasileiro, palhaço que chora e rir(24/06/2020)


Ontem fez um ano que escrevi o texto “Da Asa Branca até Tareco e Mariola”, foi o relato da minha vinda para o Centro-Sul, descrevi a viagem com início em 24 de junho de 1973, meu desenvolvimento pessoal e profissional, desembocando nos meus dias até o ano próximo passado quando o País estava caminhando ao encerramento do sexto mês, primeiro semestre, do Governo Bolsonaro, naquele momento eu tentava entender o que de fato tinha acontecido politicamente com a nossa Nação, concomitante, fazia uma reflexão sobre o estágio em que se encontrava a nossa música nordestina, intitulada de forró, ou arrasta-pé.


Os brasileiros ainda adormecidos pelo impacto do resultado das urnas da eleição última e a vitória do ilustre desconhecido, em âmbito nacional, mesmo porque, o candidato eleito era um Deputado Federal por sete legislaturas, entretanto vinculado ao baixo clero, conceito dos deputados que não tinham e não têm o prestígio, na casa, dos notáveis. Ainda não era preciso fazer uma avaliação mais próxima da realidade.


Na sequência eu concluíra o material que compôs o primeiro tomo da trilogia que seria composta por mais sete volumes, com produção de uma unidade semestral, dessa forma, o meu compromisso era de oito volumes, dessa forma o trabalho ali iniciado levaria quatro anos para finaliza-lo na sua totalidade. Obra inicial pronta e editada, em continuidade, mais dois tomos prontos.


Como há uma equivalência de tempo entre a produção da trilogia e o período do governo de Jair Messias Bolsonaro, a periodicidade do meu projeto literário das demais edições, não será imediatamente ao semestre encerrado, os lançarei na proporção que os fatos políticos forem se justificando e os temas não ficarem velhos, ou vencidos, pois se trata de narrativas, nem a favor nem contra ao governo situacionista, serão apenas relatos da República sem politicagem, algo totalmente isento e diferente da mídia viciada em direita ou esquerda.


Fazendo uma retrospectiva desse ano e meio decorrido possa afirmar como testemunha ocular da historicidade, politicamente, o Brasil hoje é um país reconstruído na sua moralidade e no Governo Central, apenas isso, entretanto o próprio Presidente Bolsonaro transformou sua administração numa ruína coletiva. Em primeiro lugar o presidente não tem ajudado na condução do seu projeto governamental, avalio até que não haja projeto nesse aspecto, muitos setores ou ministérios que estavam pouco avaliados, nas administrações anteriores, simplesmente pioraram.


Em decorrência da própria pandemia do Coronavírus, não só em função dela, a própria avaliação do presidente tem caído sistematicamente, principalmente, em face de truculência do Jair Bolsonaro que tem se comportado, infelizmente, totalmente deslocado da altura do cargo e seus arroubos administrativos que não condizem com a República que temos, dessa forma, temos uma verdadeira tragédia implantada na Praça dos Três Poderes, com verdadeiros choques de opiniões divergentes entre eles. Se fôssemos anunciar um responsável direto, poderíamos afirmar que todos eles, os Poderes, têm culpa direta e indiretamente, não obstante, o Presidente Bolsonaro responder por 60% da situação crítica, primordialmente por não ter o devido respeito pelas instituições da República.


Retornando ao primeiro tópico, música nordestina, com todos os problemas que vivemos, considerando o posposto da crise, sinto-me regozijado pelo comportamento que observo entre os atuais integrantes da música brasileira. Ontem, véspera de São João, momento de comemorações por todo território nacional e de muita relevância para os nordestinos.

Na impossibilidade das festividades presenciais fomos premiados com várias lives produzidas por vários artistas e com divisão de espaços entre os menos notáveis, verdadeira participação solidária entre todos, sem nem mesmo a presença da figura do protagonista, todos eram iguais. Isso demonstra o quanto o brasileiro é solidário e humano.


Nesse momento de profunda letargia decorrente pela tragédia que estamos vivenciando, somos capazes de reagirmos e em vez de deixar sangrar o peito, preferimos enxugar as lágrimas e viver, pelo menos por alguns momentos, a possibilidade de ser e fazer alguém feliz com as nossas atitudes de superação. Deixo meu registro de fé e esperança nessa gente sofrida, principalmente os mais simples e modestos, pois são esses que mais tem sido afetado com o luto que nos cobre de vergonha e tristeza, pelo muito que os governantes não fizeram por todos nós. Fica constatado que o brasileiro é o verdadeiro palhaço que chora e rir.


Genival Dantas

Poeta, Escritor e Jornalista




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