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  • Foto do escritorGenival Dantas

Bolsonaro, Mandetta e “A Escolha de Sofia” (14/04/2020)



William Clark Styron Junior, escritor americano, nos deixou duas obras memoráveis, Confissões de Nat Turner e a Escolha de Sofia. A Escolha de Sofia transformada em filme e sempre citada em situações de embaraços, principalmente por aqueles que conhecem essa obra com toda a extensão humana e a difícil escolha numa tomada de decisão cuja escolha é simplesmente aterrorizante.

Desde começou o nosso suplício por conta da pandemia do novo Coronavírus, o embate entre o Presidente da República Jair Bolsonaro e o Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, ficamos entre duas opiniões bem distintas, de um lado temos o Presidente, chefe do Mandetta, a pregar sua posição contrária ao do Ministro, querendo que a população tenha um recolhimento vertical, ou seja, apenas os idosos e outras classes constituídas de riscos iminentes com o Coronavírus. É bom salientar que essa teoria do Presidente Bolsonaro não tem respaldo técnico nem científico.

Na outra ponta o Ministro Mandetta tem mantido a coerência de manter o seu conceito amparo tanto técnica como cientificamente, comungando com o que preconiza a OMS (organização mundial da saúde) e a maioria dos governadores dos Estados brasileiros e seus prefeitos municipais. Todos eles preconizam o afastamento social horizontalmente. Ficando fora desse grupo apenas os profissionais indispensáveis a manutenção dos serviços essenciais para que não ocorra a falência do sistema.

É importante lembrar que o Presidente Bolsonaro é um Néscio em matéria de medicina, sendo ainda, mediato para tomada de decisões, nesse caso, se constituindo numa pessoa ausente e distante de ser um atilado nas suas tarefas competentes e inerentes ao cargo que ocupa. Dessa forma, podemos dizer que Bolsonaro não tem predicados nem cacoetes de estadista. Aliás, faz muito tempo que o Brasil não tem na sua administração pública, desde a nova Constituição de 1988, uma autoridade com esse cabedal.

Isso posta e, portanto, o Presidente tenta impor um ponto de vista praticamente político, sem nenhum respaldo que possa justificar seu intento, simplesmente que manter o país operando na tentativa de evitar prejuízos maiores que o efetivamente terá mesmo pondo em risco a vida da população. A sensatez manda dizer que é preciso atitudes virtuosas, com responsabilidades, valorizando muito mais a vida do povo que a economia de uma Nação.

Entendo, a vida é uma, não há uma segunda chance, quanto à economia ela pode ser recuperada, pode até ser demorada sua recuperação, mas há tempo para se tentar e fizer seus acertos, tudo é uma questão de luta e determinação, enquanto vida há esperança. Nesse caso julgamos que o Ministro esteja correto, a única coisa que ele pode errar é se ele vier a politizar seu ponto de vista na tentativa de se capitalizar politicamente para proveito futuro.

Hoje ainda vai haver reunião entre o Presidente e o Ministro, os especuladores políticos já afirmam que a discussão será quando o Ministro vai deixar o cargo, o fato de sair do governo já é favas contadas, ou fato consumado. Esperamos, apesar do desequilíbrio entre os administradores, todos tentando serem protagonistas, nunca coadjuvantes, verdadeiro cabo de guerra, ou sandice incabível principalmente no momento como esse em que temos que juntar forças, nunca dividir.

Atentemos, pois, o que vai se desenrolar nessa reunião não podemos supor, entretanto cabe às autoridades pensarem no país como um todo e não em facções, partidos ou interesses pessoais, estamos todos atentos.

Genival Torres Dantas

Poeta, escritor e Jornalista


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