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  • Foto do escritorGenival Dantas

Ao concentrarmos na luz do nosso tempo enxergamos a escuridão do passado(24/08/2020)


O Fato Sem Politicagem 24/08/2020

Para fazermos uma avaliação do nosso momento político é preciso voltar no tempo e analisarmos o quanto fomos estúpidos com a nossa história política. Achando que o tempo é um instrumento sem memória, a maioria das pessoas tenta viver com a sensação que o passado não cobra, portanto o trata como um péssimo cobrador, a memória é demente e as pessoas são verdadeiras bestas quadradas, ausentes até de qualquer resquício de sabedoria.

Esses incautos pensadores da abstração normalmente são tragados pela sua própria condição de nauseabundos seres abjetos, reconhecidos no meio social em que vivem como hipócritas. Em se tratando de República Democrata, o nosso caso, a situação é mais complicada, somos filhos de um golpe, sem nenhuma participação popular, idealizado e executado por duas vertentes nascidas dentro de duas instituições sérias, o militarismo e a maçonaria, milenárias nos seus nascedouros.

Não tenho dúvidas, no caminhar da nossa história Republicana, nos processos Democráticos, tivemos dois hiatos considerados acidentes de percurso, em 1930 com Getúlio Vargas e 1964, a contrarrevolução, nos tirando das mãos dos vassalos que tentaram implantar um sistema esquerdista, apoiada, à época pela União Soviética, movimento rapidamente debelado pelas forças armadas brasileiras, sem derramamento de sangue, nem mesmo tiros ou vítimas fatais; com o decorrer dos anos muitas ocorrências foram relatadas e muitas casos questionáveis, uma questão de ponto de vista ideológica, portanto a história dará sua versão oficial.

Com a devolução do Estado pelos militares aos civis, novos rumos, novas ideias com nova Carta Magna e o retorno dos que foram castigados pelo sistema que perdurou por 21 anos. De 1985 até hoje, a sequência de fatos nada Republicanos tem sido estarrecedor para quem acalenta o sonho da Democracia plena.

O divisor de águas foi à elaboração da nova Constituição, promulgada em 1988, infelizmente ela foi feita para um regime Parlamentarista, mas por insistência do Presidente da Câmara, Ulisses Guimarães, continuou com o Presidencialismo, dessa feita com o aditivo compartilhado, dessa forma tivemos até agora um compartilhamento entre o Executivo e o Legislativo totalmente enviesado, transformando o Executivo refém do Legislativo, principalmente dos grupos suprapartidários que se formam para tirar vantagem e exigir liberação de verbas e acesso aos cargos públicos para nomeações dos seus apadrinhados.

Os sucessivos desgovernos, com dois impeachments de dois Presidentes distintos, correntes diferentes, e a prevalência do socialismo, fez o país investir mais nas áreas sociais, sem, entretanto, sair da desconfortável posição de um país formado por uma sociedade desigual, quando 10% da população concentram 90% do PIB nacional, enquanto 90% da população sobrevivem com os 10% das riquezas produzidas em nosso país, esse contexto é cruel e desumano.

São desanimadoras as perspectivas para o futuro, com ascensão da extrema direita, em substituição da extrema esquerda, tudo ficou como antes, nada evoluiu apenas o combate dos malefícios causados pela corrupção instalada no governo esquerdista, denominado de petista, foi extirpado do núcleo governamental, porém o Legislativo ainda se compõe de elementos vindos da legislatura anterior, não sabemos até onde e quando o governo vai funcionar sem a efetiva participação dessa gente dentro dele, sabemos apenas é que parte do grupo conhecido como Centrão fez parceria com o Executivo para aprovação de projetos de interesses nacionais, é esperar para ver.

Muito embora sejamos um país de muitas riquezas naturais, temos um povo pobre de espírito, castigados que fomos pela escravidão, representamos um dois últimos povos a libertar nossos irmãos negros, temos mantido esse jeito de subserviência aos mais dotados financeiramente e na diferença na cor da pele até hoje, numa forma inconteste de mostrar que continuamos os mesmos, livres dos chicotes, porém servos e dependentes do Estado, infelizmente, escravos dos nossos preconceitos.

A prova mais contundente dessa minha afirmativa é o resultado dessa pandemia que tem demonstrado o quanto somos frágeis como seres humanos, há uma população de brasileiros, praticamente representando metade da nossa gente, caso essa ajuda financeira temporária, não seja efetivamente transformada em permanente, depois do Coronavírus e início do próximo ano, o governo estuda pagar essa ajuda até dezembro próximo, com valor menor, mas que seja pago.

A grande dificuldade que vamos encontrar na sequência desse desastre mundial, principalmente no Brasil, será os desdobramentos dos danos causados pelas contingências da ausência de emprego para os desempregados, a recuperação financeira das empresas sem Capital de giro e estoques vencidos, para aqueles que trabalham com perecíveis. Os próprios invisíveis, que vivem a margem da sociedade, em situação de abandono pela assistência social e médica.

Sabemos que não temos condições de fazer muito, pelos menos favorecidos, por muito tempo, sem cortarmos custos já existentes e que sejam protelados por algum tempo, ou desalojados das nossas planilhas de custeios com a finalidade específica de prestarmos apoio necessário ao povo que não tem culpa da descriminação que sofre desde nosso descobrimento e regimes diferenciados.

Sinceramente, que esse momento de avaliações mais profundas seja a hora de pararmos tudo e criar soluções, ou alternativas para os brasileiros, que sejam efetivas, e não ações eleitoreiras e momentâneas. O Brasil precisa ser digno de todos nós, e não de meia dúzia de apaniguados.

Genival Dantas

Poeta, Escritor e Jornalista




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