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  • Foto do escritorGenival Dantas

A quase pornochanchada política patrocinada pela CPI do Coronavírus (15/05/202)




O Fato Sem Politicagem 15/05/2021


O depoimento do ex-chefe de Comunicação Social da Presidência da República, Fábio Wajngarten (12/05) foi uma sessão além de tumultuada, pontuada de comportamentos desrespeitosos e de linguagem chula chegando ao linear das pornochanchadas apresentadas nas telas de quinta categorias dos cinemas brasileiros, nos anos 1970, protagonizada, principalmente, pelo redator da CPI, senador Renan Calheiros e o também senador Flávio Bolsonaro.


Foi um espetáculo deprimente para quem espera alguma coisa mais positiva com perguntas e respostas diretas e objetivas, sem a intenção clara de fazer o depoente confessar crimes ou fatos que pudessem leva-lo a uma condenação, como é o caso de construir narrativas com construção de provas contra si mesmo. Em determinado momento o senador Flávio Bolsonaro, do plenário acusa o relator, senador Renan Calheiros de vagabundo, sendo retrucado pelo próprio senador acusado.


Em resposta ao senador Flávio Bolsonaro, senador Renan Calheiros lhe direciona a mesma ofensa e a situação piora indo parar nos bastidores. Tudo isso ocorreu depois de o redator faz ameaça de prisão ao depoente, momento que o clima fica quente com a interferência do próprio presidente da CPI, Omar Aziz, mesmo irritado com aquele constrangimento pede calma e a sessão volta ao ritmo de antes, mesmo assim a situação continuou tensa.


“Foi acordado pelos participantes da mesa da CPI que o caso seria encaminhado ao Ministério Público, o que foi feito pela presidência, mesmo contrariando o grupo dos sete, participantes da esquerda mais os neutros da comissão. Diferente dos depoimentos anteriores (3) com um comportamento exemplar de todos, com afagos, gentilezas e educação generalizada, os depoentes se comportaram seguindo basicamente com respostas pontuais às perguntas formuladas.”


Depois daquele quadro deprimente e depois de 08 horas de depoimento de Fábio Wajngarten, fiquei imaginando o que seria o depoimento do ex-ministro da saúde Eduardo Pazuello: seria o depoimento do chefe de Comunicação do Planalto um avant premiere do que poderia ocorrer na sessão da próxima quarta-feira? Pensando talvez nessa hipótese e para evitar tumulto maior, Pazuello, além de ex-ministro é também general da ativa, o Advocacia-Geral da União (AGU) acionou o STF para que Pazuello se mantivesse calado na sessão em questão.


O ministro do Supremo Tribunal Federal escalado é o próprio Ricardo Lewandoswski, o mesmo que em 31 de agosto de 2016 presidiu a sessão do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, no Senado Federal; naquele momento Levandovski fatiou o processo, fazendo-a perder o mandato, mas manteve sua condição de candidato a qualquer cargo eletivo, o processo teve como resultado de 61 votos contra 20, dos senadores da República.


Lewandoswski agora não se fez de arrogante, agradando gregos e troianos, deferiu pelo silêncio do depoente, em perguntas que possam incriminá-lo, concedendo habeas corpus parcial, entretanto obrigando-o a comparecer à comissão e a se manifestar sobre questões pertinentes a terceiros, como é o caso do presidente da República Jair Bolsonaro. Dessa forma, o ex-ministro pode se livrar de uma prisão em flagrante, porém vai ter que se explicar.


Deixando claro que Pazuello foi ministro da saúde e sua oitiva é fundamental para prosseguimento da CPI, foi durante sua gestão que tivemos o momento mais graves da pandemia com o drama de Manaus com mortes e transferências de pacientes daquele Estado para outras regiões do Brasil, inclusive já responde a um inquérito sobre os fatos investigados pela CPI na Justiça Federal do Distrito Federal e sobre o mesmo caso.


O resumo da ópera é o seguinte: tudo ou nada pode ocorrer nessa sessão da próxima quarta-feira, a mesa da comissão pode tentar usar perguntas capciosas, na tentativa de tirar informações mais profundas do depoente. Não podemos esquecer que o relator é figura carimbada na política nacional, já foi deputado estadual, federal, ministro da justiça, ex-presidente do senado e senador, portanto sabe muito bem usar seu vasto vocabulário na hora de formular perguntas.


No final dessa história não acredito que seja feliz, muito tem se especulado a respeito das conduções dos trabalhos até que seja feito o encerramento das oitivas de todos depoentes, a pendência que ainda existe é a convocação ou não do próprio presidente Bolsonaro, ele pode ou não depor na CPI, uma pergunta que suscita dúvidas e que só o transcurso dos fatos pode nos responder.


Genival Dantas

Poeta, Escritor e Jornalista







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