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  • Foto do escritorGenival Dantas

É preciso pensar em mudanças estruturais e estruturantes(25/05/2020)


Quando o novo amanhã chegar, ele chegará com certeza, teremos pela frente uma realidade diferente daquela que deixamos no começo do ano, antes da pandemia do Coronavírus. Lá no marco zero, o Brasil passava por um momento de acomodação, depois de um ano de novo governo, muitas propostas e pouca efetividade, de novidade apenas o isolamento da corrupção dentro da nova administração pública federal, o resto ficou por conta de um desenho superado, esboçado pelos mesmos velhos políticos, viciados em manobras nada republicas e recheadas de antigas práticas que persistiam em retornar ao antigo mapa dos descalabros.

Dizer manifestamente que o Presidente Bolsonaro tinha segurado até então a ânsia dos mais persistentes algozes da República, é fato, entretanto, vociferar aos quatro cantos que o passado estava insepulto também era real, havia uma realidade a caminho de práticas antigas, o Executivo, por seu comportamento transloucado, nada conseguindo de objetivo para tocar seu projeto, ninguém sabia ao certo qual era o começo, meio e fim, foi ficando sem meios políticos de atuar com verdadeira governabilidade e aos poucos foi cedendo espaço aos outros Poderes, quando o Legislativo passou a executar e o Judiciário entrou na seara da legislação.

A pandemia do Coronavírus serviu de rebento para o Executivo, aquilo que já estava ruim piorou e o crédito que ainda existia junto à população foi minguando, seus aliados se dispersaram, mas o pior, suas atitudes desestruturadas e desestruturantes foram se transformando em teoremas da empáfia. A premência de ações rápidas e objetivas foi se acumulando, a paciência da população se esgotando, as iniciativas retardadas tergiversavam a platitude da bestialidade.

O problema médico sanitário foi repassado ao campo econômico, político social e até moral, a solução passou a ser de uma tragédia sem precedentes, principalmente, por não termos uma solução cientificamente sustentável, o quadro foi se agravando e levando junto sequelas com agravamentos profundos. Com a necessidade de usarmos o isolamento social, na tentativa de mitigar o processo de contaminação pelo vírus o Governo Central foi obrigado a tomar iniciativas sociais, planejando uma assistência financeira para os desassistidos, por um período de 90 dias, um auxílio de R$ 600,00/mês, para uma população carente de mais de 50 milhões de pessoas.

O custo inicial previsto é da ordem de R$124 bilhões mensais, apenas com esse compromisso, com possibilidades de estender por mais um novo período ainda indefinido, na esteira da paralisação econômica do país os Estados e Municípios correram em busca de recursos. O acordo feito entre o Executivo e o Legislativo, foi necessário um arranjo jurídico com aprovação pelo Congresso para que a ajuda do Governo Federal não se transformasse em ato inconstitucional, foi aprovado recursos na ordem de R$50 bilhões para o socorro imediato dos Estados e Municípios, valores que ainda não foram liberados pelo Presidente da República.

Isso ainda não é tudo, além do auxilio direto ao povo e aos Estados e Municípios que alegam não ter dinheiro para o pagamento da folha de pagamento dos funcionários públicos caso o governo não libere os valores acordados até quinta-feira próxima, 28/05, há toda uma tramitação em jogo para que o dinheiro chegue ao seu destino final, na ordem de cinco dias úteis. Ademais, a indústria e comercio, setor da energia, serviços, micros, pequenos e médios empreendedores contam com o apoio do governo, impreterivelmente, na retomada das atividades, com financiamentos, para tanto, se faz necessário à participação da rede bancária nacional, tanto da rede pública como privada.

Com o Governo Federal na corda bamba, sendo provocado por mais 30 pedidos de impeachment na mesa do Presidente da Câmara, acossado por todos os partidos políticos da esquerda maquiavélica, apoiado por um bloco de congressistas, sem bandeira, tentando comprar apoio por qualquer preço, pode até negar, mas é fato; o Ministro da Economia, Paulo Guedes, tentando salvar seu plano que já não estava tão bom, a recessão apontando como devastadora, para todo o planeta, incluindo o Brasil, nosso crédito capengando junto à comunidade econômica internacional, é de provocar insônia.

Não sei o que realmente nos espera no dia seguinte da tragédia chamada Coronavírus. Uma massa da população desempregada procurando emprego em um mercado nada sadio e recessivo; empresários procurando fórmulas para sair da situação de impotência; o Governo Federal sem saber para quem vender seus títulos do Tesouro Nacional sem nenhum atrativo comercial, portanto, desfigurado; a educação em uma projeção pior que o ano anterior, o Legislativo tentando inventar Leis como artifício, buscando soluções em qualquer pretexto; finalmente, o Judiciário sobrecarregado de ações beligerantes de uma nação perdida entre côncavo e o convexo.

Genival Torres Dantas

Poeta, escritor e Jornalista

genivaldantasrp@gmail.com.br



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